Vida com História

Um lençol para cada sonho

Momento

Comentários (2) / 2 de março de 2018

A pior coisa para um lençol  é a assombração da cama mal feita

Entro no quarto da minha filha e sempre levo um susto com o lençol. Enrolado feito um nó, lembra uma maçaroca. Nem de longe ele se parece com o jogo de cama escolhido com carinho para ninar o sono de uma adolescente. Resisto firme à tentação de desfazer o angu e, sem o menor remorso, deixo a maçaroca reencontrar a dona, na hora de dormir.

Pensa que ela liga? Que nada, acha muito prático encontrar a bagunça pronta e, simplesmente, se enrosca nela.

No quarto, ao lado, o lençol se esparrama no chão, vítima do protesto do meu filho contra o calor. Só o forro fica no lugar. Ele, pelo menos, devolve o lençol para cama e estica a colcha sobre as muitas montanhas do mix, edredom, lençol, travesseiro. Reclama comigo quando eu teimo em transformar a sua ordem em algo mais próximo de uma superfície lisa:

– Mãe, tá bom assim! Você sempre estraga a minha onda!

Obsessão por cama tem uma amiga minha; ela é capaz de esticar um lençol, sem deixar uma marca. Tão perfeito que dá pena de usar.

Vamos falar a verdade. É muito desagradável você abrir uma cama e se deparar com milhões de dobras estampadas no tecido. A cama, coitada, passa vergonha com esse descaso.

Não importa o capricho com o enxoval, nenhum monograma bordado, em generosos fios egípcios, merece viver amarrotado.

Imagine se os lençóis ganhassem voz, quantos pesadelos eles iriam contar?

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2 Responses to :
Um lençol para cada sonho

  1. Alexandre Schultz disse:

    Nós enxergamos o lençol bem diferente dos adolescentes…lembro-me da época quando minha mãe me criticava muito pela cama desarrumada o dia inteiro até a noite, sempre comparando com o quarto de minha irmã, e olha, não era só a cama mas o 3 em 1 com caixas de fitas abertas, os pares de tenis jogados ao chão junto ao skate de ponta cabeça em meio a um cone de trânsito e placa de proibido estacionar que tinha no meu quarto. A melhor resposta, a que passou a funcionar muito bem, diminuindo a frequência das reclamações da mamãe era: “no meu quarto você vê e sente vida, no da Carol não…kkk”

    E não é que tem fundamento? O adolescente, lotado de um desapego maravilhoso para estas coisas não está nem aí para o alinhamento do lençol, prefere seu ninho daquele jeito, é acredite, eles veem com outros olhos, a bagunça da cama, como o alinhamento “quadrado” da cama arrumada, afinal, “a beleza está nos olhos do observador”…

    1. Adorei o comentário Alexandre! Uma boa história para o vida com história. Concordo com você! A beleza está nos olhos do observador!

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