Sangue de rã na escarola

Natureza

Comentários (0) / 13 de novembro de 2019

A natureza entrega todo o seu valor, independente das situações. A autenticidade prevalece acima de qualquer coisa e, atendendo a princípios que passam longe da mesquinharia, do levar vantagem, ter razão, prejudicar o outro, ela oferece o melhor de si sem esperar nada em troca. Em perfeita harmonia, mesmo as circunstâncias bizarras e agressivas, seguem um único propósito, a sobrevivência.

Como seres humanos, vindos da natureza, deveríamos nos guiar pelos mesmos princípios ao invés de nós sugarmos. O exemplo do quanto temos dificuldade em construir com o outro, aparece nas mesas de mediação, onde casais disputam cada centímetro do que um dia foi um relacionamento. Alimentados pelo alto grau de raiva, eles chegam parecendo predadores um do outro; com todas as vias de acesso ao dialogo, entupidas, cegos e surtos para qualquer outra ideia que não seja a sua.

Recebi, essa semana, em uma das instituições onde presto serviço voluntário, um casal jovem que usava o silêncio como arma apontada para o futuro ex-cônjuge.  Respostas, sim, não, se revezavam nas questões tratadas dentro do contexto, sem que eles, sequer se olhassem.

Decidiram racionalmente o divórcio e, enquanto eu digitava o acordo, começamos a conversar. Pedi desculpas pelas condições de trabalho daquele dia, em função da mudança recente para o novo endereço. A moça contou que já estava acostumada com isso. Na empresa de higienização de verduras, onde ela trabalhava, coisas estranhas aconteciam e mudavam a rotina, o tempo todo:

– Certa vez, uma rã veio junto com um pé de escarola e virou picadinho – comentou a moça.

O rapaz reagiu com uma expressão de espanto e perguntou:

– Nossa, e o que eles fizeram com a escarola?

– Jogaram tudo fora e pararam a produção para desinfetar os tanques – respondeu a moça.

Em seguida, o rapaz abriu o celular e mostrou a foto de nuvens refletidas no capô de um carro vermelho.

– Esse carro virou celebridade em uma novela! Eu poli, várias vezes no mesmo no dia, para não perder nenhum pontinho do efeito espelho – disse o rapaz.

– Você não me contou! Qual novela? Perguntou a moça.

Não pareciam as mesmas pessoas que chegaram para se separar. Assinaram o acordo entre eles e, no final de um encontro, estavam conversando. Nada como uma rã no lugar certo.

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