Vida com História

Poluição no paraíso

Natureza

Comentários (0) / 26 de julho de 2019

Os dias eram de muito vento e temporal. A praia ganhou novos contornos com enormes barrancos de areia, formando uma plataforma difícil de acessar, sem alguma habilidade para escalada. 

A natureza exibia o seu poder de força, naquele novo cenário, esculpido em uma semana de sopros impiedosos, obedientes à ordem natural. 

O glacê de areia ganhou, além dos imensos degraus, lascas de vidro por toda a orla. Entre conchas e estrelas do mar, a extensão de muitos passos trazia o perigo iminente para pés distraídos. 

Pedaços de muitas dúzias de garrafas enchiam minhas mãos, quando um carro passou em alta velocidade; levei um susto e derrubei a pilha inteira de vidro, na areia. 

Gritei para o motorista: 

-É proibido carro, na praia!!!

Ele seguiu em frente, como se estivesse imune a essa lei. 

Eu fiquei falando sozinha com a pilha de vidro esparramada. Um pescador assistiu a minha indignação e veio conversar comigo:

-Olha dona, ficou nervosa à toa. O carro vai continuar passando aqui e boa parte desse vidro foi da festa que o dono do carro fez essa semana, na praia. Larga tudo aí, deixa os cacos para ele.

-Obrigada moço – respondi enquanto recolhia o vidro. 

Com as mãos cheias de novo, cheguei em casa e uma surpresa: o moço do carro estava lá, pedindo informação para o meu caseiro. Bom dia moço! Você passou por mim na praia!

-Foi?! Não reparei!

-É proibido carro lá, sabia?!

-Não vi placa?!

-A placa tá na consciência de cada um e os cacos de vidro espalhadas na areia, também.

-Aqui, a única consciência que eu conheço é: cada um faz o que quer, até logo. –

-Educação e respeito não parecem o seu forte!! Eu disse.

O rapaz fez de conta que não ouviu, entrou no carro e, enquanto manobrava, anotei a placa para dar queixa. 

Comentei com o caseiro sobre os cacos de vidro e a festa; ele disse nunca ter visto aquele moço, na praia, e que eu, provavelmente, caí em conversa de pescador.

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