Vida com História

Pernilongo à vista

Momento

Comentários (4) / 14 de setembro de 2020

Um pernilongo no teto, outro pernilongo ali, vários pernilongos lá. Mata. Não mata. Veneno neles. Raquete elétrica. Em último caso, pega no tapa. E quando você pensa que a sua noite está livre daquela sirene que gruda no ouvido e acaba com o sossego, sobrou um, escondido atrás da cortina pronto para se esbaldar. 

Ele assistiu a vitória suada contra os outros da sua espécie e aposta no seu estado de exaustão para encher a barriga, sem nenhuma dificuldade. Morrendo de preguiça de levantar, acender a luz e recomeçar a caçada, você apela para o travesseiro. Não demora muito, você dorme e baixa a guarda. Daí, acontece o pior: um pernilongo gigante entra no seu sonho. Sequestra você de uma cena mágica e leva para um voo frenético, num vai e vem de embrulhar o estômago. De repente, ele solta você no ar e você despenca na cama. Faz tanto barulho que você acorda. Quem inventou o pernilongo podia ter colocado um silencioso nele. Credo. Pode me sugar, só não fica zumbindo no meu ouvido que isso enlouquece. Bom, ai é guerra. O pulo da cama é tão rápido que ele não consegue se desvencilhar. Cláp! Cláp! E do meio das palmas certeiras, despenca um cadáver mudo e gordo de sangue. Você retira os restos mortais da cama e faz uma nova inspeção. Vasculha tudo e elege o ar condicionado para acabar com a graça de qualquer espertinho encolhido em algum canto. Ganha meia horinha de sono e acorda, dessa vez, congelando. Desliga o ar. Os passarinhos já estão a postos e, entusiasmados, anunciam um novo dia. As chance de um bom sono voam.

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4 Responses to :
Pernilongo à vista

  1. MAURO SMIRIGLIO disse:

    Laís, tenho curtido muito seus textos!
    Sempre um olhar atento aos mais simples e significativos acontecimentos da vida!
    Adorei o caminho das mexericas!

    Parabéns! E obrigado por compartilhar vivas palavras!
    Mauro Smiriglio

    1. Lais Barros disse:

      Muito obrigada, Mauro!!

  2. Luiz Valdo disse:

    Lais;
    Grato por compartilhar vida.
    “Pernilongo a vista.” foi o máximo, curti muito. Bo ter vc nessa caminhada.
    Grande e fraternal abraço.
    Luiz Valdo

    1. Lais Barros disse:

      Muito obrigada Luiz!

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