Vida com História

O misterioso invisível

Momento

Comentários (0) / 28 de abril de 2020

Se tem uma coisa que essa pandemia conseguiu foi despertar o lado tagarela das pessoas. Quanto falatório online, Nem os tímidos escaparam. Todo mundo está dando com a língua nos dentes!! Aff!! É palestra, é entrevista, é live, é conselho, receita, aula de yoga, tricô, mandarim, happy hour, face in, face out…os grupos de Whatsapp então, enlouqueceram de vez!! Nunca vi tanto palpite. É só postar uma sugestão, uma brincadeira, pronto, lá vem uma enxurrada de comentários. As redes sociais ganharam novos adeptos e os viciados dedicam uma overdose de tempo em frente a tela. No começo o consumo de informações sobre o vírus, formou doutores no assunto; com o tempo, cansamos do noticiário mostrando a lotação dos cemitérios. De um lado tínhamos essas informações e do outro, quietinho em casa, um órfão suplicando por atenção: o eu. As oportunidades do mundo virtual abriram um meio do caminho que aparece na imensa quantidade de posts, stories, videos e o órfão diminuiu as chances de ser reconhecido. Escancaramos, nas telas, a nossa aflição, debatendo temas nunca pensados antes.

O isolamento provocou inúmeras reações, talvez o maior impulso da internet tenha vindo do medo de ficar sozinho consigo mesmo. O que antes era absoluta falta de tempo para se olhar no espelho, virou tempo de sobra para estabelecer longas conversas com aquele eu que a gente não reconhece mais. Um eu que não precisa de muita coisa, além da nossa companhia; sempre de prontidão para acolher qualquer sentimento, sem julgamento e que agora sorri para nós.

A pausa que fez o corpo aquietar o movimento para fora criou a oportunidade de visitar, não sem um certo acanhamento, o eu de dentro. Alguns, mais dedicados ao silêncio que dá acesso a esse ser especial, seguem felizes e tranquilos com a benção da ordem e do equilíbrio que o contato com a própria essência proporciona; outros assustam com a imensidão de possibilidades que o eu maior oferece e buscam desesperadamente distrações para evitar um encontro. Uma fuga da lista de pendências e encaminhamentos que podem surgir, depois de quase uma vida, sem dar bola para ele. Afinal as demandas externas precisavam ser atendidas para a sobrevivência do eu de fora e do eu de dentro, tudo feito na melhor das intenções. Não existe certo ou errado, cada um encontra o seu momento e forma de encarar o próprio eu; pelo que tenho assistido, continua sendo uma grande dificuldade para a maioria das pessoas. Ficam isentas da minha reflexão, claro, aqueles que trabalham on line e os que oferecem algum serviço comunitário.

Sobre o vírus e o nosso eu: Que bom seria se tivéssemos uma tinta que desmascarasse o invisível e melhorasse as nossas chances, contra o primeiro e a favor do segundo.

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