Vida com História

O intruso do mercado

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Comentários (0) / 12 de maio de 2017

Sabe aquele dia que você entra no mercado para uma comprinha rápida e um intruso acaba com os seus planos? 

O tamanho das filas, nos caixas, dava a impressão de que o mercado estava liquidando os produtos. Era difícil transitar entre as gôndolas, os corredores tinham congestionamento de carrinhos. O horário não combinava com tanto movimento; passava das nove horas da noite e as pessoas não estavam com a menor pressa de sair daquela confusão de gente amontoada. Consumidores com criança, senhoras de idade, ganhavam dos jovens em número de clientes dispostos a sair dali com a lista de compras resolvida. Funcionários do mercado colaboravam com a muvuca, reabastecendo alguns itens. Dava para notar seguranças circulando entre os compradores para evitar que algum ladrãozinho oportunista entrasse em ação contra gente distraída escolhendo a batata.

Concentrados na pesquisa de preço ou nos ingredientes para o cardápio da semana ou trocando receita enquanto aguardavam fatiar frios, todos pararam quando ele entrou disparado no mercado, destoando completamente dos consumidores. Começou a correria. Os seguranças cercaram os corredores e só conseguiram alcançar o intruso, suspeito de que estava fugindo de alguma coisa, quando ele se jogou dentro do freezer de laticínios.

Vários clientes largaram os carrinhos lotados, no meio do corredor, e saíram sem levar nada, com receio da ordem: pega, pega, antes que ele faça um estrago. Logo, uma roda se formou em volta dele. Só dava para ver os olhos congelados, entre os copos de iogurte, sem deixar ninguém chegar perto.

Um coro de sugestões para tirar o intruso da gelada ocupou os ouvidos dos seguranças. A platéia era grande, todos os palpites foram testados, sem êxito. Cada movimento na direção do intruso deixava um prejuízo de vários copos de iogurte espalhados no chão.

Um deslize e pronto. O gato disparou para bem longe, fora do alcance das muitas mãos que tentaram segurá-lo. Atravessou desesperado a entrada do mercado e desapareceu na rua escura.

A senhora que acompanhou com as amigas, desde a chegada do bichado até a fuga derradeira, comentou:

– Cada lugar tem o gato que merece. Acho que assustamos o pobrezinho. Tantas velhinhas juntas e ele ficou apavorado.

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