Vida com História

Do compromisso com a leveza

Momento

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O primeiro compromisso do dia foi a International Cyber Law Conference, com destaque para a realidade jurídica que ronda a realidade virtual. Uma pauta bastante relevante no momento em que a exposição na internet deixou de ser revista de fofoca. Ganhou status de lugar de trabalho, muito trabalho.

Quem procura e quem oferece encontra um vasto campo de currículos em uma rede infinita de negócios. Lazer, relacionamento, compra e venda, muito bem analisados pelos hackers de plantão. Proteger as transações no ambiente virtual ganhou bastante destaque, no evento, bem como a nova cultura que tem deixado em desvantagem os analfabetos virtuais.

Grandes mudanças como a aposentadoria das impressoras em detrimento do google drive. Movimento que tem arrancado do papel o protagonismo dos contratos. Tudo passou para o icloud, colocando em desvantagem, por exemplo, a experiência e o conhecimento daqueles para quem a nuvem ainda é um floquinho branco navegando no céu.

Terminou a conferência e eu vou para o quarto onde encontro o telefone caído no chão, atrás do criado mudo. Junto com ele, 1 pistache, quase irreconhecível de tanto pó, a tampinha de uma caneta que eu perdi, se me lembro bem, há meses e dois grampos, provavelmente, da última vez que eu fiz um coque, e, se assim foi, a ocasião era o casamento do filho de uma amiga que aconteceu há um ano.

Com todas essas descobertas, a primeira providência foi pegar uma caixinha de som e um bom repertório de música. Depois veio pano e, já que eu peguei o pano, trouxe junto o aspirador de pó, pá e vassoura, só para garantir. E, já que eu estava bem preparada, resolvi afastar a cama e, já que eu afastei a cama, decidi virar o colchão. Gastei a vontade de aspirar nele e quando eu achei que tinha terminado a minha jornada de limpeza, entrei no closet. E, já que eu tinha pano vassoura e pá, reorganizei bolsas, sapatos e botas. Dava gosto de ver a nova ordem de limpeza e medo da nova lista de afazeres que eu preparei para a minha ajudante doméstica. 

O chuveiro levou um susto com a quantidade de pó que se colocou embaixo dele. O piso branco ganhou tons de cinza quando a água encontrou a sujeira. Quarto, closet e corpo renovados, o relógio me convocou para uma reunião de trabalho. Engoli duas folhas da alface, meio ovo cozido, suco de limão e abri a tela do computador. A reunião durou duas horas ininterruptas e o tema era histórias para um ebook. Enfrentei firme, as disputas sobre títulos, naquele momento infantil que faz as pessoas reviverem os cinco anos de idade e jogar na mesa algo como: o meu é mais bonito. Superadas as performances de vaidades, alcançamos o propósito da reunião. Eu saí satisfeita com o resultado e com um nó de fome no estômago. 

De novo o tempo estava bem apertado; logo iniciaria a palestra com o palhaço. Um copo de leite de amêndoas e um punhado de castanhas poderiam quebrar o meu galho até o fim do encontro e manter o meu estado de bom humor sob controle. Confesso que essa foi a hora mais esperada do dia. O que será que um palhaço poderia trazer de tão significativo para o tema escuta e acolhimento?

Comecei anotando a fala dele, tudo era tão significativo; eu não queria perder um detalhe. Escrevi tão rápido para acompanhar o ritmo e, no fim, saiu um risco imenso no papel. Isso acontece comigo quando o assunto é muito, muito interessante.

O ponto de vista de quem faz rir convocou a platéia a pedir licença para o seu adulto e deixar vir a criança de cada um para o encontro. Liberar essa criança da inquisição do adulto e brincar de monstro, careta, esconde e esconde. Deixar de lado um pouco o que eu tenho e encontrar um espaço para o que eu sou, na melhor performance de criança.

Adorei quando ele disse que o adulto deveria ser apenas o estrategista das idéias da criança; brincar mais até entender a maior lição do palhaço: “O palhaço exerce a escuta e o acolhimento com facilidade porque ele é, na verdade um perdedor, o sapato e a roupa são largas e grandes porque não são dele, e sendo assim, ele não precisa defender nada de ninguém. Quanto  mais você tem, mais você se defende e mais você se afasta do que de verdade pode ser o amor, a vivência pura e autêntica”. Claudio Thebas

O palhaço apontou para o lúdico com o potencial para trazer muitos ensinamentos. Como quando ele mencionou uma experiência com um grupo de crianças que iriam passar algumas horas conhecendo o palhaço autor do livro que estavam estudando. Todos quietos, arrumadinhos em volta dele, no pátio. Antes que ele pudesse começar a conversa, um menino de 7 anos perguntou: Podemos brincar primeiro, palhaço? E o palhaço respondeu com outra pergunta: Porque vocês querem brincar primeiro? Porque se a gente brincar vamos ficar amigos.

De Cyber conferência, passando pelo closet, pela escolha de histórias, termino dia com o espírito renovado, aprendendo que só na entrega podemos alcançar o que de verdade faz sentido.

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