Vida com História

Colheita com emoção

Momento

Comentários (0) / 7 de outubro de 2021

Um pé de pitanga, no caminho

No entra e sai apressado, entre uma coisa e outra, a gente passa distraído por muitas coisas. Eu passei distraída pelo pé de pitanga, no portão da garagem da minha casa, até hoje, quando ele derrubou uma pitanga no capô do meu carro.

Claro, fez tudo de caso pensado e escolheu a mais madura e graúda de todas para gerar impacto e me fazer parar ao seu lado. Árvore alta, da janela do carro eu só enxergava o tronco. Desci do carro e olhei para cima. Muitos pontinhos vermelhos abriram um sorriso para mim.

Como não ceder a sedução de uma frutinha que eu amo? Entrei em casa, feliz com a descoberta, e convoquei o meu filho para subir no pé e colher as pitangas. A surpresa foi ele topar sem nenhuma daquelas desculpas: estou ocupado, com preguiça, daqui a pouco eu vou.

A escalada no pé de pitanga

Menino escalando pé de pitanga

Nem escada, nem cadeira, de um impulso ele alcançou o primeiro galho. Nem precisou escolher. Todas estavam maduras no ponto certinho para aquela explosão saborosa que a pitanga entrega. Outro impulso e ele lotou as mãos, várias vezes, com porções generosas da fruta.

Eu estava em êxtase. Quanta gentileza do meu filho em atender o meu chamado, sem reclamar, e insistir na missão, e lotar um cesto, para fazer a alegria do meu paladar. Quase aplaudi, quando ele desceu do pé, com ar de super herói das pitangas.

Entramos em casa, a tarde seguiu com o meu trabalho, as atividades dele, e as pitangas me acompanhando por todo lado. O perfume de natureza fresca, na boca, inspirou todas as minhas tarefas.

Do pé de pitanga ao resgate do celular

Acho que não passou nem meia hora, meu filho apareceu pálido e perguntou se eu tinha visto o seu celular. Eu ajudei a vasculhar a casa inteira, atrás o aparelho, sem sucesso. Cleide, a moça que trabalha em casa, entrou em cena também e ligou várias vezes para o número, na esperança do telefone tocar, embaixo de alguma almofada.

Nada aconteceu. Meu filho começou a apresentar os sintomas da abstinência que acometem os pobres coitados, órfãos do seu contato com a vida e o mundo. Todos em casa procuraram acalmar o menino, afinal, ninguém queria estar no lugar dele.

O pior é que nem as pitangas serviam de consolo para um evento dramático como é perder o celular, no século 21. Continuamos as buscas pelo aparelho, acreditando que ele estaria em algum lugar, solto dentro de casa, sem bateria para gritar por socorro.

No celular da Cleide, o mistério foi resolvido

Toca o celular da Cleide, um senhor diz que recebeu a chamada do número dela e pergunta se ela perdeu um celular. A alegria dessa notícia nocauteou o mau humor do menino e trouxe aquele alívio gostoso depois de um momento de tensão.

Descobrimos que o aparelho caiu do bolso do meu filho, em cima da grama, enquanto ele cumpria a missão com as pitangas. No entusiasmo da boa colheita ninguém notou a queda. O senhor contou que trabalha na casa em frente a nossa e levou aparelho com ele, esperando alguém ligar para devolver.

Honestidade, gentileza, empatia tudo junto

O Sr. Israel veio entregar o telefone. Contou que perdeu o dele, várias vezes, e que sempre alguém encontrou e devolveu. Quando viu o celular, na grama, pensou: Olha aí a minha chance de fazer por alguém aquilo que tantas vezes fizeram por mim

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