Árvore de cemitério também dá flor

Natureza

Comentários (0) / 7 de julho de 2019

Eu sempre achei que a vida deveria ter um fim mais triunfal e não um lugar onde os fantasmas disputam território, enquanto assistem o corpo físico se decompor.

Setenta, oitenta, cem anos de história depositados em um túmulo só para garantir a lembrança dos vivos. Restos frios e desfigurados cobertos com um glacê de mármore. A disfunção em absoluto repouso, ocupando o espaço dos vivos que reclamam atenção entre si, enterrados em frente a uma tela, sem se importar onde estão; no ônibus, no hospital, na praia, na festa, Talvez o condomínio da morte seja, isso sim, um bom lugar para os mortos vivos que assombram o planeta.

O aglomerado de zumbis, conectados no modo “like” ao invés do modo “life”, oferece riscos sérios para o cotidiano. Outro dia uma moça atravessou o sinal vermelho, pedalando a bicicleta e o celular, ao mesmo tempo, as freadas e o susto dos motoristas não mudaram o ritmo da moça; cabeçadas em postes e atropelamentos, são corriqueiros.

Imagino esses futuros fantasmas, sofredores por abstinência de internet, percebendo a sua cova, vizinha da cova que alimenta a raiz da árvore. A árvore, indiferente aos restos humanos que dividem a terra com ela, vivendo plenamente a missão de florir.

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